Trilhas sonoras de desenhos: mirando nos filhos, acertando nos pais

Já venho reparando há algum tempo nas trilhas sonoras de desenhos infantis. As músicas, que até certo tempo atrás, resumiam-se a trechos musicais dos desenhos, com a melodia e letra se misturando com o roteiro, passaram a ter função diferente em várias das grandes animações de Hollywood. Eram músicas compostas exclusivamente para os filmes, sem fazer referência a nada da cultura pop.

Disney, Dreamworks, Pixar, Warner… todos os grandes estúdios que produzem animações perceberam algo que pode parecer óbvio, mas que, até então, não era feito: em muitos casos, os pais viam os desenhos com má vontade, apenas para agradar a criançada. Ou seja, por mais que os desenhos tivessem um bom desempenho em bilheterias, não alcançavam todo o potencial financeiro que eram capazes. É muito mais fácil uma criança convencer um pai a consumir mais produtos relacionados àquele desenho, quando o próprio pai/mãe também gostou do que viu.

E qual seria a forma de ter esse público ao seu lado? Mudando os enredos, deixando os desenhos com uma pegada mais séria. Seria um tiro no pé, pois o principal público deixaria de se interessar. Ainda assim, era possível fazer sutis mudanças na forma de contar as histórias e inserir questionamentos bastante adultos, mas de forma que as crianças não os percebessem. Além disso, muitos desenhos passaram a ter em suas trilhas sonoras clássicos da música pop e sucessos da atualidade. Assistir a um desenho é algo envolvente, pois desperta a criança dentro de nós. Ouvindo músicas que remetam a algum momento de nossas vidas, melhor ainda! E percebendo a história por trás da história faria com que os pais prestassem atenção, enquanto os pimpolhos apenas se divertem.

Vamos a alguns casos.

ta-dando-onda

Tá Dando Onda (2007)

O filme mostra a história de Cadu Maverick, um pinguim apaixonado por surf, mas que mora na cidade gelada do Frio de Janeiro. Cadu usa um bloco de gelo como prancha até ser selecionado para um campeonato de surf e vai até lá mostrar que pode surfar como qualquer outro pinguim do mundo

A trilha sonora traz bandas como Green Day, Incubus, Sugar Ray, Pearl Jam, New Radicals e Lauryn Hill.

 

 

megamenteMegamente (2010)

Uma típica história de super-heróis. Apelo perfeito para pais e crianças. Mas aqui ainda há um dos motes centrais da discussão envolvendo heróis e vilões: se não existissem heróis, os vilões perderiam o sentido?

A trilha sonora é fantástica e repleta de clássicos. Guns N’ Roses, AC/DC, Michael Jackson, Elvis Presley e Ozzy Osbourne estão lá marcando presença.

O fato curioso aqui fica pela vez em que estávamos na rua e começou a tocar AC/DC. Na mesma hora o Vinícius falou “A música do desenho!”. Não entendemos na hora, pouco depois, quando ele colocou para assistir no Netflix, entendemos do que havia se tratado a empolgação dele.

 

Shrek (2001)

Impossível deixá-lo de fora! Ainda que tenha sido pensado e lançado com pompas de blockbuster, sem dever nada às grandes películas hollywoodianas, Shrek é, essencialmente, uma animação feita para crianças. Muito bem feita, por sinal. E talvez tenha sido a primeira a se utilizar de uma trilha sonora que acerta em cheio os ouvidos dos pais. Apenas pela execução de I’m a Believer, de Neil Diamond (e que ganhou as rádios do mundo com a versão do Smash Mouth) já é o bastante para incluí-lo nessa lista. Ou você não fica ansioso pela cena em que o Burro (na voz de Eddie Murphy ou de seu dublador, Mário Jorge Andrade) canta a música entusiasmadamente? Além dessa, ainda temos Bad Reputation, da Joan Jett, Meditação, de Tom Jobim,  e a linda Hallelujah, de Leonardo Cohen (mas, aqui, na versão de Rufus Wainwright).

shrek-e-burro

 

Já pararam para pensar que essas músicas, se não fossem inseridas nos desenhos, talvez não atingiriam as crianças? Elas demorariam para conhecê-las – ou talvez nem as conhecessem. Algumas foram lançadas há 20, 30, 40 anos ou mais. Esse é o grande mérito: levar música de qualidade aos pequenos e fazer com que os pais se envolvam mais ainda nessa experiência.

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Escrito por Rodrigo Rebelo

Carioca, marido, pai, boleiro e, sempre que possível, presente nos tatames de jiu-jitsu. Além de marketar há alguns anos, também lavo, passo, mas não cozinho - prefiro evitar que a cozinha exploda. Apaixonado e dedicado em sempre arrancar um sorriso daqueles que amo.

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