Tour dos Estádios: Estádio Monumental David Arellano

O estádio do Colo-Colo guarda momentos riquíssimos, que revela conquistas do clube e a própria história chilena

Um dos momentos que estávamos mais ansiosos na nossa viagem para o Chile, era a visita ao Estádio Monumental David Arellano. Quando elaboramos o roteiro da viagem, tivemos o cuidado de incluir esse passeio e ficamos atento ao calendário do campeonato chileno, pois o Paseo Monumental, que engloba o museu e o tour guiado nas dependências do estádio, só é permitido em dias que não haja jogo do Colo-Colo. Como o time jogaria apenas no domingo, contra o Palestino, programamos esse passeio para o sábado e aproveitaríamos para comprar o ingresso para assistir a partida no dia seguinte.

No sábado, acordamos e tomamos café da manhã em um bistrô charmosíssimo, localizado próximo da casa onde estávamos hospedados. Após encher a barriga, pedimos um Uber e fomos para o estádio. Chegando lá, compramos os ingressos (que custam 4 mil pesos e não aceita cartão, apenas dinheiro vivo) e entramos para aguardar o início do tour.

PS: dá para ir de metrô ao estádio tranquilamente, a estação mais próxima é Pedrero, na Linha Verde.

A primeira impressão já é linda

Carlos, o guia, começou se apresentando e indicando o trajeto que faríamos dentro das dependências do clube. Perguntou se havia pessoas de outros países e, além de Samanta e eu, apenas mais um rapaz, também brasileiro, levantou a mão. Após dizermos nossos times de coração e algumas pessoas olhares meio torto para mim, já que o Botafogo eliminou o Colo-Colo na Libertadores desse ano, começamos o passeio.

Na primeira parte, ainda na área externa, o guia conta a história da fundação do time e o motivo de seu nome. Colo-Colo, o índio mapuche que, ao que tudo indica, viveu entre 1515 e 1561, foi um cacique que liderou seu povo contra a tentativa de dominação dos espanhóis durante a Guerra do Arauco. Morreu como herói e mártir local e, por isso, o time o homenageia, já que um dos preceitos da fundação Colo-Colo era o de que o time representaria o Chile onde quer que fosse. E aí chegamos em David Arellano, seu fundador, que dá nome ao estádio. Ele viveu pouco, de 1902 a 1927, tendo falecido na cidade de Valladolid, na Espanha. Ele havia ido até a cidade espanhola para uma série de jogos, algo que era comum naquela época. Porém, na última partida, contra o Real Valladolid, Arellano vinha sentindo dores na região abdominal e ficou de fora da partida. Quando seu time perdia por 2 x 0, ele decidiu entrar para ajudar como podia. Após saltar para uma disputa de cabeça, o atleta caiu no chão e seu adversário, de forma involuntária, caiu sobre ele, com o joelho golpeando justamente a área dolorida. David Arellano não conseguiu se levantar e foi encaminhado diretamente para o hospital, onde veio a falecer por causa de uma apendicite. O choque com o rival foi fatal e, desde então, o clube simboliza seu eterno luto com uma faixa preta no uniforme que, de uns anos para cá, localiza-se sobre o escudo do time. Quando o guia terminou de contar essa passagem, eu já estava quase chorando.

A tarja preta também está presente na manga das camisas do time

Ainda na parte externa do Estádio Monumental David Arellano, o guia fala de vários ídolos e títulos importantes do Colo-Colo, incluindo a Libertadores de 1991, motivo de enorme orgulho por ter sido a primeira (e, até agora, única) vez que um time chileno conquistou o torneio. Há um grande memorial, com fotos históricas dos confrontos que levaram a equipe até à final e detalhes de cada um dos confrontos são contados nesse momento.

O detalhe interessante é que essas imagens ficam ‘emolduradas’ pelas traves do estádio usadas no jogo decisivo. O confronto contra o Boca Juniors, pela semifinal e apitado pelo brasileiro Renato Marsiglia, tem grande destaque nessa hora, pois transformou-se em uma batalha campal que só foi encerrada graças a um cachorro. Após o terceiro gol do time chileno, os argentinos partiram pra briga, que logo se alastrou e tripés de fotógrafos e cadeiras viraram armas. Foi aí que Ron, pastor alemão da polícia local, entrou em cena. Nervoso por todo o caos instaurado, ele se soltou do policial que o guiava e correu pelo gramado. Seu alvo foram as nádegas do goleiro argentino Navarro Montoya. Misteriosamente, nesse momento, a confusão se encerrou e o jogo pôde continuar graças a o perro. Cenas lamentáveis que só uma Libertadores proporcionam.

Melhor moldura não há

Partimos, então, para a parte interna do estádio, dedicada, principalmente, para tirarmos fotos e apreciar toda a atmosfera do clube. Passamos primeiro pela área de imprensa, onde as entrevistas são concedidas, e depois fomos para o túnel que dá acesso ao gramado. Uma pena que os vestiários não estavam abertos para visitação, talvez por causa da partida do dia seguinte, mas isso não afetou a qualidade do passeio e toda atenção que o guia tem com as pessoas. É emocionante subir as mesmas escadas que os jogadores sobem nos jogos – e no dia seguinte, quando assistimos a partida, pensamos exatamente nisso. Tiramos fotos na beira do gramado, no banco de reservas e retornamos pela arquibancada onde começamos o passeio. Dali em diante, já sem o guia turístico, tivemos acesso ao museu do clube, com os troféus de suas conquistas e outros registros históricos e impressionantes.

 

Terminado o passeio, fomos comprar os ingressos para o jogo do dia seguinte. As arquibancadas do Estádio Monumental David Arellano possuem vários setores diferentes e nós optamos pelo Cordillera. Na verdade queríamos o Oceano, mas já estava esgotado e a outra opção, além do Cordillera, era o Galvarino, que não teria uma visão tão boa do gramado. O ingresso custou 6 mil pesos, e, assim como no tour do estádio, não aceita cartão.

Havia uma fila considerável para compra e o processo é um pouco demorado, pois é necessário apresentar o documento de identificação para que o ingresso fique registrado no nome de cada pessoa, evitando, assim, a atuação de cambistas (que obviamente conseguem atuar do mesmo jeito, mas essa é uma maneira de reprimi-los). Mas missão dada é missão cumprida e aguardamos pacientemente a nossa vez. Após uma confusão no nome da Samanta, solicitamos a alteração do que fora impresso e saímos com os ingressos em mãos.

No domingo, dia do jogo, nos preparamos para chegar ao estádio um pouco mais cedo e fomos de metrô. Essa dica é fundamental para dias de jogos: não chegar muito em cima da hora. Não há local marcado e a fila para entrar estava bem grande. No caso de moradores locais, eles apenas exibem o documento de identificação e são liberados, mas como nossos documentos eram de outro país, foi necessário uma checagem no sistema até que pudéssemos entrar. Há opções de comida dentro do estádio, mas quase todas só aceitam dinheiro – o sistema de cartões estava fora do ar nas poucas opções que aceitavam essa forma de pagamento. A saída, assim como aqui no Brasil é bastante cheia, mas não presenciamos nenhuma confusão e tudo saiu dentro do planejado.

Tudo foi incrível, desde o tour guiado pelas dependências do clube e museu, até assistir o jogo no meio da torcida. Eles são muito entusiasmados e cantam o jogo todo. A única coisa que posso dizer é que, para qualquer apaixonado por futebol que vá ao Chile, Estádio Monumental David Arellano é parada obrigatória! E se você já foi, conte-nos como foi a sua experiência 🙂

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Escrito por Rodrigo Rebelo

Carioca, marido, pai, boleiro e, sempre que possível, presente nos tatames de jiu-jitsu. Além de marketar há alguns anos, também lavo, passo, mas não cozinho - prefiro evitar que a cozinha exploda. Apaixonado e dedicado em sempre arrancar um sorriso daqueles que amo.