Mitos e verdades sobre intolerância à lactose

Apenas no Brasil, cerca de 40% da população apresenta algum grau de intolerância

Há cerca de um ano, cansada da sensação de estufamento que tinha na região do abdômen, sempre depois de tomar café da manhã (com leite integral e café) – e incentivada pelo “boom da intolerância à lactose”, decidi fazer alguns testes com a alimentação.

Primeiro, troquei o leite integral pelo semi desnatado. Não adiantou. Depois, para o desnatado. Confesso que a sensação diminuiu, mas ainda estava lá. Foi aí que, um belo dia, decidi comprar uma caixinha de leite sem lactose, mas tinha receio de perder o sabor do leite, que eu tanto amo.

Já no primeiro dia, tomei meu café da manhã como sempre e saí pra trabalhar normalmente. Algumas horas depois fui me lembrar que não existia desconforto algum. Seria a intolerância à lactose a vilã?

Consultas e exames depois, tava lá: era a bendita. Mas, por que a minha vida inteira eu me senti bem tomando e leite e, de repente, parece que “criei” intolerância à lactose?

A resposta é simples: quase todos nós nascemos com uma enzima de quebra a lactose, e a deixamos de produzir ao longo da vida, seja pelo envelhecimento ou por lesões no intestino.

Créditos: reprodução de infográfico produzido pela IstoE.

Comecei a me aprofundar no assunto e cheguei ate um estudo conduzido pela RG Nutri e compilado por uma das mais tradicionais marcas de laticínios do país, a Tirolez. Vamos lá:

Mitos e verdades sobre intolerância à lactose

1 – Alergia à proteína do leite e intolerância à lactose são a mesma coisa.

Mito. As pessoas com alergia ao leite geralmente apresentam lesões cutâneas, coceiras, sintomas respiratórios, além de distúrbios gastrointestinais, pois elas possuem anticorpos que reagem às proteínas do leite, identificando-as como invasores estranhos ao organismo. Algumas reações são bastante severas. Já as intolerantes à lactose apresentam distúrbios gastrointestinais, como enjôo, flatulência, diarréia, causados pela deficiência na produção da enzima lactase, que tem a função de digerir o açúcar do leite, a lactose.

2 – Há vários níveis de intolerância à lactose.

Verdade. Há três tipos de intolerância à lactose. Sendo eles:

A – Deficiência primária

  • Tipo mais comum;
  • Tendência natural na diminuição da produção de lactase, com o avançar da idade;
  • Fato mais evidenciado em algumas raças (negros, ameríndios e asiáticos) e menos comum em outras (branca).

B – Diminuição enzimática secundária a doenças intestinais

  • Bastante comum em crianças no 1º ano de vida;
  • Ocorre devido à diarreia persistente;
  • Morte das células da mucosa intestinal;
  • Intolerância temporária até a reposição das células.

C – Deficiência congênita da enzima

  • Defeito genético muito raro, no qual a criança nasce sem a capacidade de produzir lactase;

3 – Um indivíduo não pode desenvolver o distúrbio alimentar ao longo da vida.

Mito. A intolerância à lactose pode ser congênita ou então surgir com o passar dos anos, sendo que muitas pessoas eram obrigadas a abrirem mão do prazer e da nutrição proporcionados pelo leite e, principalmente, pelos queijos, importantes fontes de cálcio, entre outros nutrientes gradativamente. Para essas pessoas, já há produtos desenvolvidos sem lactose.

4 – O diagnóstico deve ser realizado por um médico.

Verdade. O diagnóstico é realizado por meio de testes específicos. Caso a pessoa tenha os sintomas e suspeite que eles estejam ligados à ingestão de lactose, é importante procurar um médico e explicar a situação. O acompanhamento médico é extremamente importante. Com o diagnóstico correto, é possível adaptar as dietas e ajustá-las de acordo com a condição específica de cada pessoa.

5 – Há cura para a intolerância à lactose.

Depende. A deficiência na produção da lactase pelo organismo acontece ao longo da vida, pois é normal que o ser humano produza menores quantidades dessa enzima na medida em que envelhece. Esse processo é natural e não há como revertê-lo e sim controlá-lo pela dieta. Porém, existem casos em que a intolerância à lactose está associada a alguma outra doença, como a Doença Celíaca. Assim, ao tratarmos a doença celíaca, a intolerância à lactose desaparece e o paciente volta a poder ingerir produtos lácteos normalmente.

6 – Pessoas com intolerância à lactose não devem consumir queijos.

Depende. O teor de lactose nos queijos é variável, principalmente devido ao processo de maturação, ou seja: o tempo que o queijo “envelhece” antes de chegar ao consumidor.

A maturação pode ser considerada quase um ritual em que os queijos ganham cor, sabor, aroma e textura, dependendo de cada tipo, em função de diversos processos físicos, bioquímicos e microbiológicos. Gruyère, Estepe, Gorgonzola, Provolone e Parmesão são alguns exemplos dessa categoria de queijos. Durante a maturação, a lactose é fermentada, gerando ácido láctico e outras substâncias. Assim, quanto maior o tempo de maturação, menor o teor de lactose, podendo chegar a zero.

É justamente por isso que nos queijos frescos, como Minas Frescal, Cottage e Ricota, ou nos queijos com pouco tempo de maturação, como o delicioso Prato, a lactose ainda pode ser encontrada e por isso, neste caso, precisam da fabricação adequada para quebrá-la.

Se você tiver mais alguma duvida sobre intolerância à lactose, pode escrever nos comentários que estamos preparando mais material para colocar em novas publicações, ok?

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Escrito por Samanta Vicentini

Especialista em fazer a família feliz, cozinheira de mão cheia e viajante de fim de semana. Colecionava papel de carta e ainda chora com desenhos animados. Trocou SP pelo Rio por amor e fez até amizade com o verão. ♥