De PAIdrasto para PAI foi um pulo

A relação baseada na confiança ajudou nosso relacionamento de pai e filho

Um dos posts aqui do Apartamento103 que mais gostei de escrever, foi o que eu narrava a experiência de ser paidrasto. É realmente algo que me emociona e me enche de felicidade, porque desde o começo do meu relacionamento com a Samanta eu fiz questão de ser o mais amigo possível do Vini. E acho que cumpro bem essa função. Ele me ouve, ensina e respeita e, exatamente por causa disso, passar de paidrasto para pai foi uma consequência natural das coisas.

Hoje a emoção é ainda maior. O Vini passou por um momento de transição, de adaptação, que achávamos que pudesse ser demorado ou, pior, traumático. Ele nem me chamava de “pai” e, sinceramente, nunca foi um problema. Não que eu não me importe, mas eu sabia que se isso acontecesse algum dia, teria de ser de maneira espontânea.

Eu nunca cobrei que ele me chamasse assim. Nem conversando com a Samanta, nem sugerindo para ele que o fizesse. Eu já me sentia pai e isso era o suficiente. E eu também sabia que, mesmo não me chamando de pai, ele tinha um alto grau de confiança em mim, o que, no fundo, é o que mais importa.

A relação do Vini comigo passou por diversas etapas diferentes. E quando falo isso, me refiro, também, a forma como ele me trata. Ele já me chamou de “tio”, de “tio Ôdígo“, somente de “Ôdigo” e “gorducho”. E isso nunca me incomodou. Na verdade eu até incentivava, já que todas as noites, antes de dormir, eu falo “boa noite, pirralho“. Quando ele respondia apenas com “boa noite“, eu perguntava “boa noite o quê?” e ele completava com “gorducho“. Sei que ele não falava de forma ofensiva, mas sim de modo carinhoso. E eu incentivava para ele perceber ainda mais que temos essa proximidade, essa liberdade, e ele não precisar me tratar de forma cordial. Eu fui criado dessa forma. Sempre tive enorme liberdade com meus pais e até hoje quando escuto alguém chamando o pai ou a mãe de “senhor” e “senhora” eu acho estranho. Acho que nem os meus avós eu chamava assim, porque eles também nunca exigiram que fosse assim.

Meu pequeno nerd.

Uma foto publicada por Rodrigo Rebelo (@rodrigorebelo) em

Então eu acredito que essa seja a melhor forma de levar uma relação de pai e filho: com liberdade. Essa é a única maneira dele sentir que pode confiar em mim e na idade em que ele se encontra (8 anos) é essencial que ele sinta essa confiança vinda dos pais. É de agora que ele vai formar os alicerces que vai carregar para a vida toda e se eu quero que na adolescência e na vida adulta ele chegue para conversar comigo a respeito da centena de problemas que terá, é agora que eu preciso plantar isso. É importante para ele e para mim.

Agora nós estamos, sem dúvida, no nosso momento mais próximo. Após um período trabalhando e morando em São Paulo, entre setembro de 2014 e fevereiro de 2015, voltei para o Rio e, desde então, não nos desgrudamos mais. Apesar da rotina cansativa de ter que estar às 7h no trabalho, num bairro bem distante de onde moramos, e os eventuais atrasos para chegar em casa, devido à distância e ao trânsito descomunal dessa cidade, sempre passamos o maior tempo possível juntos quando temos a oportunidade. Seja brincando ou assistindo Naruto na Netflix (que ele me fez passar a gostar), esses momentos serviram para estreitar os nossos laços e uma palavra que eu já vinha ouvindo com certa freqüência passou a ser constante: pai. Já há alguns meses ele vinha me chamando assim e eu sempre ficava todo bobo por dentro, mas sem “comemorar” na frente dele, porque isso podia inibi-lo. Esse forma dele me tratar começou quando eu ainda estava em São Paulo, não sei se pela saudade, mas foi totalmente natural. Um belo dia, do nada, ele falou “papai” no meio de alguma frase. A nossa reação – minha e da Samanta – foi de total espanto, mas sem falar uma palavra sequer na hora. Depois olhamos um para o outro e perguntamos, praticamente ao mesmo tempo “você reparou?“.

 

 

esse papai é meu! ❤️❤️❤️ #amorquenãosemede #gratidão

 

Um vídeo publicado por Samanta Vicentini (@savicentini) em

Desde então não parou mais. É um grude diário, com ele querendo fazer tudo comigo e me mostrar tudo, sempre incluindo o “papai” em alguma coisa. “Vou mostrar pro papai“, “vou falar com o papai“, “vou pedir pro papai“, “papai, posso jogar o LEGO Marvel no XBox?“.

Eu não podia estar mais feliz por ser pai. E, a cada dia, me esforçando para fazer do Vini um pirralho muito amado e feliz com a sua família! \o/

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Escrito por Rodrigo Rebelo

Carioca, marido, pai, boleiro e, sempre que possível, presente nos tatames de jiu-jitsu. Além de marketar há alguns anos, também lavo, passo, mas não cozinho - prefiro evitar que a cozinha exploda. Apaixonado e dedicado em sempre arrancar um sorriso daqueles que amo.